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11.1.12

Linha do tempo ( 2011, feito pra acabar)

Foto - Juan Miguel

‘Mas tudo bem
O dia vai raiar
Pra gente se inventar de novo
E o mundo vai nascer de novo’ - 
Cícero
Hoje, dia 10 de janeiro, ás 15h00min, em Guaramiranga - Ceará, em uma tarde fria e nublada, na "radiola" músicas que baixei recentemente e que vão embalando uma certa nostalgia aqui dentro, de calor humano e felicidade. No meu quarto vou pensando um pouco, do que foi o ano de 2011. Aqui no quarto, ta tudo escuro, e na cozinha minha mãe fazendo bolo com a minha irmã. Sinto o cheiro, elas riem tanto que dá pra ouvir daqui. Por um longo tempo eu não morei com os meus pais e nem irmãos, eu morava com as minhas tias e primos aqui perto mesmo, uns 10 minutos andando... E antes, pensei que fui rebelde ou algo do tipo, mas aconteceu naturalmente de ir morar com as minhas tias. 
Uma das grandes mudanças que me aconteceu, no ano passado, foi à volta pra casa dos meus pais depois de 11 anos.  Mudou um pouco a rotina da casa, a comida, o espaço e a preocupação.  É os meus pais são incríveis e esse aconchego deles veio de forma acolhedora e amável, essa atenção sem tamanho. Isso me tem feito voltar no tempo e relembrar como era bom ser criança. É bom retorna ao lar dos meus pais. E isso me preenche, porque o amo eles e é bom estar perto deles e de meus irmãos.
No meio dessas mudanças que aconteceram naturalmente, eu ia e vinha. Eu estava participando de um programa de formação... Ai entra o EntrePontos, a convite do Felipe Gurgel para participar da comunicação digital. Entre indas e vindas, Fortaleza e Guaramiranga. Fui conhecendo pessoas sensacionais, que contribuíram direta e indiretamente na minha construção do ser, pessoas que encantam e poetizam, de sentimentos puros e que transbordam alegria e amor ao próximo. Confesso que aprendi muito na busca de mim dentro desse grupo, acreditando que entrando nele, eu iria deixar de lado essa timidez que me acompanha. Junto com essa galera incrível, participei de vários eventos, encontros, festivais... Entre eles a Previa da Mostra Petrucio Maia onde pude conhecer essa galera, mesmo que ainda um pouco de vista, depois a Mostra Petrucio Maia e ai foi seguindo um calendário de eventos. O ForCaos, evento de Rock que tive oportunidade de conhecer um pouco. A prévia da Feira da Música no CUCA que queria tanto conhecer, depois a Feira da música. O Ponto.Ce que foi um festival fantástico, sem falar no Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga, no Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga, dentre outros que participei como o Fio - Feira Integrada do Maciço de Baturité...
Com tantos eventos e festivais de música assim, não podia deixar de mostrar um pouco do que sei fazer, tocar também... Mesmo com um certo distanciamento do sax e indo pra trás dos palco com a comunicação, eu ainda fiz boas e grandes apresentações... Começando pelo Festival de Jazz e Blues, que subir no palco é sem duvida uma das melhores sensações, e também participar do Projeto Outra Banda da Serra onde durante o ano de 2010, tivemos aulas nos finais de semana, para montar um repertorio para Gravação de um CD e apresentação no palco principal do festival de 2011. Depois uma apresentação em Sobral, que foi genial, fazendo pela primeira vez um show com a Orquestra Cidade da Arte, Tambores de Guaramiranga e o Rio das Cordas que ficou um trabalho lindo e sendo bastante aplaudido pelo pequeno publico que apareceu e que foi indescritivelmente um dos mais calorosos. Em seguida Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga, apresentação que lavou a alma, caiu como um relaxante... É, é prazeroso tocar e encantar.  
Nessa altura de texto já andei meio mundo pelo ceará, rsrsrs. Mas sem duvida, não iria conseguir tudo isso sem a AGUA - Associação do Amigos da Arte de Guaramiranga que é a minha segunda casa, que me acolheu, que sempre esta me ensinando e sempre disposta a ensinar. E nesse ano de 2011 que passou, foi também o meu refugio e a minha alegria... Com a agua junto com a Seduc - Secretaria do Estado do Ceará me propôs a ideia de participar do curso de Inclusão digital e alfabetização, que logo mais vai ser um dos cursos da agua, que é um dos trabalhos que mais fiquei apaixonado, O Luz do Saber ainda vai dar o que falar em Guaramiranga... Também pude viajar pra ministrar cursos a convite do grupo Dona Zefinha em Itapipoca, o curso de web tv e rádio, sendo assim um dos primeiros cursos que iria administrar fora da agua. 
Falando em viajar... Conheci um pouco de João Pessoa e das pessoas dali, dois dias que foram suficientes para fazer diferença e conhecer pessoas, compartilhar, aprender... Outro estado que visitei foi São Paulo, fiquei na USP, e de lá mesmo já me surpreendia com o que via. Mas antes de ir para lá, fui ao Parque do Ibirapuera, pra abertura do Congresso Fora do Eixo - Redes de Coletivos do Brasil... Depois do parque fomos para a USP, sede onde iria acontecer a maioria dos programas do congresso. Andei um pouco por São Paulo, fui a Rua Augusta que me encantou pela pluralidade que existe ali, de pessoas diferentes e a 25 de Março que me engoliu no mar de solidão das pessoas que passam ao seu redor. São Paulo deixou saudades.
De tantas viagens, conhecimentos, compartilhamentos, mudanças, trocas... Ainda continuei o mesmo, com mudanças é claro. Mas ainda sou o mesmo Francisco. O que ama o que fica triste, o que chora quando ouvi uma música lindamente. Ainda continuei o mesmo, mesmo quando a tristeza parecia maior que a felicidade, mesmo que algumas ruas parecessem não ter saída e nem fim. E no meio de tantas coisas me reencontrei e me perdi.  E me perdi e me reencontrei. 
 Nesse negocio de me perder, encontrei pessoas magníficas que me ajudaram a me reergue e a seguir o meu caminho. 
E nesse mundo gigante eu encontrei cada pessoa. E a cada uma fico grato... 
Fico grato a pessoas como elas, a minha família, meus irmãos e meus pais... Ao Juan e William que são amigos e mesmo em ruas diferentes sempre nos esbarramos e soltamos aquele velho sorriso de encontrar boas pessoas e que sempre vamos nos encontrar nessas ruas. Pessoas do EntrePontos, que estão em constante construção de um mundo melhor. A Agua por me ensinar tanto. Amigos especiais como a Vânia Rodrigues, que tenhamos sempre um amor um pelo o outro. A Natasha Pereira, que continuemos amigos de boas conversas sem sentido. A Raína Alvez, pelos abraços carinhosos de sempre. A Paula Baia, que vai ser sempre a minha professora da vida e a tantos outros que fizeram e fazem a diferença. E a Márcia Azevedo, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado e os meus abraços sem intenção nenhuma de troca e a minha cia.
P.s: É um texto que não contem um terço do que vivi, mas uma linha de tempo desorganizada que faço parte, é só uma pequena linha.
P.s²: Se pudesse definir a minha vida no ano de 2011 em uma música seria essa: Feito pra Sonhar de Marcelo Jeneci. 
Feito pra Acabar - Marcelo Jeneci

7.12.11

Entre Pontos, entre pessoas, entre sonhos, entre...

Com carinho, aos EntrePontos.
"Deixa eu dançar pro meu corpo ficar odara
Minha cara minha cuca ficar odara
Deixa eu cantar que é pro mundo ficar odara
Pra ficar tudo jóia rara
Qualquer coisa que se sonhara
Canto e danço que dara" 
CaetanoVeloso

Foi assim, entrando em um processo de aprendizagem quase sem querer, sem saber do que se tratava (aliás, sabia que ali iria crescer) ou do que estava por vir. Foi assim que entrei. Seduzindo-me pra participar de algo tão grandioso que se quer tinha mesurado o tamanho quando iniciei... Movido a um desejo, aliando a uma vontade de movimentar, compartilhar, de conhecer e de fazer.
Não tem aquele ditado que diz mais ou menos assim: - estava no lugar certo e na hora certa. Pois é, foi assim que percebo. Que de alguma forma, as forças ou a sorte levaram algo pra onde estava.

Assim fui desenvolvendo como uma construção.

Pessoalmente tenho um processo lento (podem pensar que é um modo meu mesmo, perceber o que ta aqui, do meu lado sem deixar que a presa intervenha em meu processo de entender), de aprender e entender o que passar ou esta acontecendo ao meu redor. Natural, às vezes ate me perco... Mas me encontro. Similar e deixar sentir em um ritmo confortável que eu posso aprender ou na correria e no calor humano (sim, porque eu senti muito calor humano, das pessoas, daquelas que estava conhecendo). Entender. Assim deixando o processo do meu aprender desenvolvendo... Dissolvendo em uma forma. Concretizando.

E todos os encontros, momentos de reuniões, em rodas de conversas que foram tornando coisas mais agradáveis pra mim. É, porque é um exercício ouvir e falar. Dizer o que senti o que pensa o que esta vivenciando. Também conhecer, aprender, ter. Tantas as ferramentas exatas pra deixar o trabalho mais sistematizado, compreendido e rápido no processo de formação e entendimento. E isso tudo foi cintilando. E já era algo agradável participar.

Entre Pontos, entre pessoas, entre idéias, entre sonhos, entre formação. O mundo todo gira tão bem assim, nos entre da gente. Entre conhecimentos. E acredito que vai ser uma nova forma de aprender, de ver o mundo e formação.

É engraçado me ver quando iniciei o Programa do EntrePontos e ver o que sou hoje. A cada passo que dei já não era o mesmo, isso é obvio pra mim. E eu não dei apenas passos, dei pulos. Pulos que mudaram circunstancialmente o meu modo. E me dou conta de que ter participado não foi somente pra capacitar. Foi além.

Entre as pessoas eu fui sendo eu, sou assim mesmo observador. Quieto. E um tanto quanto ouvinte. Ficar em silencio. Dizer talvez fosse pouco pro que queria. Aprendi no silencio, ouvindo aqueles que sabiam mais, que tinha sede de ensinar. Aprendi muitos com os meus silêncios e ouvindo.

E escrever agora é encher o pouco o vazio que deixei por não me expressar em palavras, por ficar em silencio. Acontece que sou assim, mas aqui dentro esta acontecendo tantas mudanças. Porque o EntrePontos foi mudanças, mudanças que estavam acontecendo. Lembra, falei em construção. Foi isso. Pessoalmente iam acontecendo mudanças, algumas que não gosto, outras gosto. E nisso fui me construindo, e o EntrePontos no meio dessas mudanças.

Ainda tenho muito que aprender muito que me expressar e o que fazer. Mas estou nos meus passos. E já tenho feito um pouco, pessoalmente. A timidez já não é um obstáculo. 

Toni Ferreira e Maria Gadú - Reflexo de Nós